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Entenda como a Amazônia afeta o clima do mundo todo

22 de Novembro de 2023

Por Guia do Estudante

O Brasil está sob grande pressão internacional para adotar políticas que preservem a floresta amazônica. Isso não ocorre por acaso. Estudos científicos mostram que a Amazônia, em seu atual estado, é fundamental para o equilíbrio do clima em nível continental e global, pois sequestra grande quantidade de carbono da atmosfera e alimenta o transporte de vapor e de calor equatorial para latitudes mais elevadas (e, portanto, mais frias).

Abaixo, entenda como a floresta é responsável por capturar gases do efeito estufa e por garantir chuvas em regiões que ficam a quilômetros de distância dela. E como seu desmatamento coloca tudo isso em risco.

Estoque de carbono

Na biomassa da vegetação da floresta (raízes, lenha e folhas) e da que está agregada ao solo, a Amazônia guarda o dióxido de carbono (CO2) capturado continuamente da atmosfera pela fotossíntese das plantas há milhões de anos, e acumula um enorme estoque de carbono. Como se sabe, o dióxido de carbono é um dos principais causadores do efeito estufa, relacionado ao aquecimento global.

A Amazônia captura também o vapor vindo do oceano Atlântico que, carregado pelos ventos alísios, cruza o céu límpido e seco do Nordeste e se precipita ao encontrar o ar cheio de vapores e aerossóis da floresta. O vapor amazônico é compartilhado com outras regiões e países vizinhos por meio dos “rios aéreos” ou “rios voadores”, correntes de ar que transportam tanta água quanto o próprio rio Amazonas para as principais bacias hidrográficas do Brasil e do Cone Sul do continente, garantindo chuvas essenciais para o campo, as cidades, as indústrias e as usinas hidrelétricas das regiões mais ricas da América do Sul.

Quando a floresta vai sendo derrubada, o ar sobre a região se altera, pois fica mais seco, menos capaz de capturar a umidade oceânica e de alimentar os rios aéreos. Esse processo tem contribuído para reduzir as chuvas e causar crises hídricas nas regiões mais no sul do continente.

Emissão de gases – e o papel das usinas hidrelétricas

A derrubada da mata também reduz a captura de CO2. O desmatamento devolve para a atmosfera o estoque de dióxido de carbono retido na floresta, tornando-se a maior fonte de emissão de gases do efeito estufa no Brasil, à frente das atividades de agricultura e pecuária.

O setor agropecuário, por sua vez, é o principal motor do desmatamento, cobrindo com pasto 90% da área derrubada na Amazônia, cuja maior parte acaba degradada por erosão e por ervas daninhas; nos 10% restantes, em geral, há latifúndios de soja, milho ou cana-de-açúcar, segundo o levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Há ainda a questão preocupante de que as usinas hidrelétricas na região são grandes emissoras de gases de efeito estufa. Ao contrário do senso comum, as usinas hidrelétricas não são energia totalmente limpa, principalmente pelo fato de que exigem a derrubada de áreas de floresta.

Pesquisas brasileiras medem emissões maiores nas usinas da Amazônia do que as previstas em cálculos prévios, feitos com base em modelos vindos de países de clima temperado. O cientista Philip Fearnside, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), explica que, com as elevadas temperaturas da região, a degradação e a ação de micro-organismos sobre a biomassa submersa nos reservatórios amazônicos gera muito mais CO2, óxido nitroso (N2O) e metano (CH4) do que se pensava.

Assim, a usina de Balbina (AM), considerada a mais ineficiente do país, chega a emitir mais gases de efeito estufa do que termelétricas a diesel de mesma potência, e a usina de Tucuruí (PA) emite tanto quanto a cidade de São Paulo. Some-se a isso as emissões indiretas geradas pelos megaprojetos na Amazônia: as atividades da cadeia produtiva da indústria mineral e do setor agropecuário e a queima de combustíveis fósseis extraídos da região para fomentar a atividade econômica. 

Tudo isso tem de entrar nos cálculos prévios dos próximos projetos na região, já que a prioridade da política ambiental é baixar de forma significativa a emissão de gases de efeito estufa no território brasileiro. Para isso, zerar o desmatamento na Amazônia é vital, e uma forma de dar apoio efetivo ao esforço para conter as desordens climáticas. 

Por Guia do Estudante

O Brasil está sob grande pressão internacional para adotar políticas que preservem a floresta amazônica. Isso não ocorre por acaso. Estudos científicos mostram que a Amazônia, em seu atual estado, é fundamental para o equilíbrio do clima em nível continental e global, pois sequestra grande quantidade de carbono da atmosfera e alimenta o transporte de vapor e de calor equatorial para latitudes mais elevadas (e, portanto, mais frias).

Abaixo, entenda como a floresta é responsável por capturar gases do efeito estufa e por garantir chuvas em regiões que ficam a quilômetros de distância dela. E como seu desmatamento coloca tudo isso em risco.

Estoque de carbono

Na biomassa da vegetação da floresta (raízes, lenha e folhas) e da que está agregada ao solo, a Amazônia guarda o dióxido de carbono (CO2) capturado continuamente da atmosfera pela fotossíntese das plantas há milhões de anos, e acumula um enorme estoque de carbono. Como se sabe, o dióxido de carbono é um dos principais causadores do efeito estufa, relacionado ao aquecimento global.

A Amazônia captura também o vapor vindo do oceano Atlântico que, carregado pelos ventos alísios, cruza o céu límpido e seco do Nordeste e se precipita ao encontrar o ar cheio de vapores e aerossóis da floresta. O vapor amazônico é compartilhado com outras regiões e países vizinhos por meio dos “rios aéreos” ou “rios voadores”, correntes de ar que transportam tanta água quanto o próprio rio Amazonas para as principais bacias hidrográficas do Brasil e do Cone Sul do continente, garantindo chuvas essenciais para o campo, as cidades, as indústrias e as usinas hidrelétricas das regiões mais ricas da América do Sul.

Quando a floresta vai sendo derrubada, o ar sobre a região se altera, pois fica mais seco, menos capaz de capturar a umidade oceânica e de alimentar os rios aéreos. Esse processo tem contribuído para reduzir as chuvas e causar crises hídricas nas regiões mais no sul do continente.

Emissão de gases – e o papel das usinas hidrelétricas

A derrubada da mata também reduz a captura de CO2. O desmatamento devolve para a atmosfera o estoque de dióxido de carbono retido na floresta, tornando-se a maior fonte de emissão de gases do efeito estufa no Brasil, à frente das atividades de agricultura e pecuária.

O setor agropecuário, por sua vez, é o principal motor do desmatamento, cobrindo com pasto 90% da área derrubada na Amazônia, cuja maior parte acaba degradada por erosão e por ervas daninhas; nos 10% restantes, em geral, há latifúndios de soja, milho ou cana-de-açúcar, segundo o levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Há ainda a questão preocupante de que as usinas hidrelétricas na região são grandes emissoras de gases de efeito estufa. Ao contrário do senso comum, as usinas hidrelétricas não são energia totalmente limpa, principalmente pelo fato de que exigem a derrubada de áreas de floresta.

Pesquisas brasileiras medem emissões maiores nas usinas da Amazônia do que as previstas em cálculos prévios, feitos com base em modelos vindos de países de clima temperado. O cientista Philip Fearnside, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), explica que, com as elevadas temperaturas da região, a degradação e a ação de micro-organismos sobre a biomassa submersa nos reservatórios amazônicos gera muito mais CO2, óxido nitroso (N2O) e metano (CH4) do que se pensava.

Assim, a usina de Balbina (AM), considerada a mais ineficiente do país, chega a emitir mais gases de efeito estufa do que termelétricas a diesel de mesma potência, e a usina de Tucuruí (PA) emite tanto quanto a cidade de São Paulo. Some-se a isso as emissões indiretas geradas pelos megaprojetos na Amazônia: as atividades da cadeia produtiva da indústria mineral e do setor agropecuário e a queima de combustíveis fósseis extraídos da região para fomentar a atividade econômica. 

Tudo isso tem de entrar nos cálculos prévios dos próximos projetos na região, já que a prioridade da política ambiental é baixar de forma significativa a emissão de gases de efeito estufa no território brasileiro. Para isso, zerar o desmatamento na Amazônia é vital, e uma forma de dar apoio efetivo ao esforço para conter as desordens climáticas.