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Operação Condor

13 de Novembro de 2019

Resumo: a Operação Condor foi um acordo de colaboração entre os aparelhos de repressão dos Estados da América Latina onde vigoravam regimes militares.

Por Cláudio Fernandes - Mundo Educação/ UOL 
Foto: Henry Kissinger, um dos colaboradores da Operação Condor

A Operação Condor foi uma articulação político-militar internacional firmada entre países da América do Sul a partir da segunda metade da década de 1970. Entre esses países, estavam Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia e Brasil, à época em que neles prevaleciam regimes políticos comandados por militares. 

O objetivo da operação era debelar estruturas de organizações político-revolucionárias de orientação comunista a partir do compartilhamento de informações dos sistemas de inteligência e da ação conjunta das forças de repressão desses países. A Operação Condor tornou-se tema de grandes discussões após o fim dos regimes militares e o consequente processo de redemocratização dos países citados.

Contexto

A Operação Condor foi fruto de um contexto conturbado da história da América Latina. A sucessão de golpes militares que houve a partir da década de 1960, como aquele ocorrido no Brasil, na passagem de março para abril de 1964, estava ligada à atmosfera de tensão ideológica típica da época da Guerra Fria. 

Essa tensão tornou-se ainda maior após a Revolução Cubana, ocorrida em 1959, e, principalmente, após a autodeclaração de associação ao comunismo por parte dos comandantes dessa revolução, em 1961, e a formação da Organização de Solidariedade Latino-Americana (OLAS), em 1962, encabeçada por Fidel Castro, que tinha por objetivo a difusão das práticas revolucionárias na América Latina.

Muitos grupos revolucionários – alguns deles dissidências dos velhos partidos comunistas, como a Ação Libertadora Nacional (ALN) e o Partido Comunista do Brasil (PC do B) – nasceram na América Latina, no início dos anos 1960, com o objetivo de tomar o poder pela via guerrilheira, a exemplo de Cuba e da China.

Com a instalação dos regimes militares, vários aparelhos contrarrevolucionários de repressão foram montados com vistas à perseguição e ao desmantelamento desses grupos. A Operação Condor foi o resultado da junção desses aparelhos repressores contrarrevolucionários.

Desenvolvimento da operação

A sequência de golpes de Estado operados por militares na América Latina, na segunda metade do século XX, ocorreu na seguinte ordem: em 1954, no Paraguai; em 1964, no Brasil; em 1966, Argentina; em 1970, na Bolívia e, em 1973, no Chile e no Uruguai. 

Em alguns desses casos, a central de inteligência dos EUA (CIA) forneceu apoio direto e indireto – o que foi recorrente também em algumas missões da Operação Condor. Como alguns países, como o Brasil, anteciparam-se na criação de aparelhos de repressão, os outros que vieram na sequência da cadeia de instauração do militarismo acabaram por partilhar da experiência do vizinho. Foi nessa ambiência que a Operação Condor foi montada.

Entre as ações da Operação Condor que se destacaram, podemos citar o assassinato do diplomata chileno Orlando Letelier, que aconteceu em 21 de setembro de 1976, em Washington. Essa ação foi orquestrada pela DINA, política secreta do Chile à época de Pinochet. Letelier estava ligado ao presidente Salvador Allende, morto em 11 de setembro de 1973 durante o golpe das Forças Armadas chilenas. 

O atentado contra o diplomata teve a anuência do então secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, que, em 16 de setembro de 1976, emitiu ordem à CIA para que não interferisse no plano dos agentes da DINA. Kissinger teria se envolvido em outras colaborações com a Operação Condor, valendo-se de sua posição estratégica.

Outra ação bem conhecida da Operação Condor foi o sequestro do major Joaquim Pires Cerveira, membro da Frente de Libertação Nacional (FLN) – organização que havia planejado e sequestrado o embaixador da Alemanha Ocidental em 1970, no Rio de Janeiro – e de João Batista Rita Pereda, também revolucionário partícipe da luta armada. O sequestro de ambos ocorreu em Buenos Aires, em ação conjunta entre a polícia brasileira e a argentina. Ambos foram dados como desaparecidos, e seus corpos nunca foram descobertos.

A Operação Condor, naturalmente, foi e continua sendo alvo de intensas discussões em virtude dos meios empregados na repressão, o que incluía tortura, sequestro e morte. No entanto, o que é ressaltado por quem reflete mais acuradamente sobre ela é o fato de a maioria dos alvos da operação ter sido composta de agentes revolucionárias, que igualmente sequestraram, torturaram e mataram para que seus projetos fossem levados a cabo. 

A Operação Condor, portanto, foi um dos capítulos da guerra travada “nas sombras” entre grupos comunistas e os aparelhos de repressão militar durante a Guerra Fria.


Resumo: a Operação Condor foi um acordo de colaboração entre os aparelhos de repressão dos Estados da América Latina onde vigoravam regimes militares.

Por Cláudio Fernandes - Mundo Educação/ UOL 
Foto: Henry Kissinger, um dos colaboradores da Operação Condor

A Operação Condor foi uma articulação político-militar internacional firmada entre países da América do Sul a partir da segunda metade da década de 1970. Entre esses países, estavam Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia e Brasil, à época em que neles prevaleciam regimes políticos comandados por militares. 

O objetivo da operação era debelar estruturas de organizações político-revolucionárias de orientação comunista a partir do compartilhamento de informações dos sistemas de inteligência e da ação conjunta das forças de repressão desses países. A Operação Condor tornou-se tema de grandes discussões após o fim dos regimes militares e o consequente processo de redemocratização dos países citados.

Contexto

A Operação Condor foi fruto de um contexto conturbado da história da América Latina. A sucessão de golpes militares que houve a partir da década de 1960, como aquele ocorrido no Brasil, na passagem de março para abril de 1964, estava ligada à atmosfera de tensão ideológica típica da época da Guerra Fria. 

Essa tensão tornou-se ainda maior após a Revolução Cubana, ocorrida em 1959, e, principalmente, após a autodeclaração de associação ao comunismo por parte dos comandantes dessa revolução, em 1961, e a formação da Organização de Solidariedade Latino-Americana (OLAS), em 1962, encabeçada por Fidel Castro, que tinha por objetivo a difusão das práticas revolucionárias na América Latina.

Muitos grupos revolucionários – alguns deles dissidências dos velhos partidos comunistas, como a Ação Libertadora Nacional (ALN) e o Partido Comunista do Brasil (PC do B) – nasceram na América Latina, no início dos anos 1960, com o objetivo de tomar o poder pela via guerrilheira, a exemplo de Cuba e da China.

Com a instalação dos regimes militares, vários aparelhos contrarrevolucionários de repressão foram montados com vistas à perseguição e ao desmantelamento desses grupos. A Operação Condor foi o resultado da junção desses aparelhos repressores contrarrevolucionários.

Desenvolvimento da operação

A sequência de golpes de Estado operados por militares na América Latina, na segunda metade do século XX, ocorreu na seguinte ordem: em 1954, no Paraguai; em 1964, no Brasil; em 1966, Argentina; em 1970, na Bolívia e, em 1973, no Chile e no Uruguai. 

Em alguns desses casos, a central de inteligência dos EUA (CIA) forneceu apoio direto e indireto – o que foi recorrente também em algumas missões da Operação Condor. Como alguns países, como o Brasil, anteciparam-se na criação de aparelhos de repressão, os outros que vieram na sequência da cadeia de instauração do militarismo acabaram por partilhar da experiência do vizinho. Foi nessa ambiência que a Operação Condor foi montada.

Entre as ações da Operação Condor que se destacaram, podemos citar o assassinato do diplomata chileno Orlando Letelier, que aconteceu em 21 de setembro de 1976, em Washington. Essa ação foi orquestrada pela DINA, política secreta do Chile à época de Pinochet. Letelier estava ligado ao presidente Salvador Allende, morto em 11 de setembro de 1973 durante o golpe das Forças Armadas chilenas. 

O atentado contra o diplomata teve a anuência do então secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, que, em 16 de setembro de 1976, emitiu ordem à CIA para que não interferisse no plano dos agentes da DINA. Kissinger teria se envolvido em outras colaborações com a Operação Condor, valendo-se de sua posição estratégica.

Outra ação bem conhecida da Operação Condor foi o sequestro do major Joaquim Pires Cerveira, membro da Frente de Libertação Nacional (FLN) – organização que havia planejado e sequestrado o embaixador da Alemanha Ocidental em 1970, no Rio de Janeiro – e de João Batista Rita Pereda, também revolucionário partícipe da luta armada. O sequestro de ambos ocorreu em Buenos Aires, em ação conjunta entre a polícia brasileira e a argentina. Ambos foram dados como desaparecidos, e seus corpos nunca foram descobertos.

A Operação Condor, naturalmente, foi e continua sendo alvo de intensas discussões em virtude dos meios empregados na repressão, o que incluía tortura, sequestro e morte. No entanto, o que é ressaltado por quem reflete mais acuradamente sobre ela é o fato de a maioria dos alvos da operação ter sido composta de agentes revolucionárias, que igualmente sequestraram, torturaram e mataram para que seus projetos fossem levados a cabo. 

A Operação Condor, portanto, foi um dos capítulos da guerra travada “nas sombras” entre grupos comunistas e os aparelhos de repressão militar durante a Guerra Fria.

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