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Tira Dúvidas

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Por que o pau-brasil foi tão importante para economia colonial?

11 de Setembro de 2019

Por Cláudio Fernandes
Mundo Educação/ UOL 

Antes da efetiva colonização do Brasil, que começou, de fato, na década de 1530 com a montagem do sistema mercantilista, o produto que trouxe maior rentabilidade aos aventureiros, navegantes e primeiros colonos que aqui se instalaram foi o pau-brasil.

O interesse na extração e comercialização do pau-brasil, ou Caesalpina echinata, como é conhecido cientificamente, resultou de duas características principais inerentes a esse vegetal:

1) as propriedades de tingimento de tecidos, que vêm da sua coloração avermelhada;

2) sua madeira resistente, que servia para a confecção de vários artigos, desde instrumentos musicais até móveis.

A extração do pau-brasil contava com a mão de obra indígena e, já em torno do ano de 1503, o negócio que girava em torno dessa extração apresentava uma enorme infraestrutura.

Os índios eram encarregados de derrubar as madeiras, separá-las em partes e conduzi-las para as casas dos feitores, onde eram guardadas, sendo, posteriormente, encaminhadas para os navios.

Como escambo, os índios recebiam as bugigangas e as peças manufaturadas que os portugueses traziam da Europa.

Portugal outorgava a alguns exploradores a possibilidade de monopolizar o comércio de pau-brasil. As feitorias eram a base de controle do monopólio, pois, além de terem a função de armazenamento, também funcionavam como o primeiro estágio de triagem da quantidade de produto extraído, que tinha como destino a coroa portuguesa. Dessa forma, possuíam uma função estratégica importante.

O pau-brasil também ficou conhecido como pau-de-pernambuco e podia ser encontrado em toda a extensão da Mata Atlântica no litoral brasileiro. Personagens históricos como Fernando de Noronha tornaram-se grandes comerciantes dessa matéria-prima.

Os franceses, quando tentaram ocupar as terras brasileiras na década de 1550, já eram conhecidos no tráfico de pau-brasil em toda a costa da América do Sul. Isso ilustra o quão apreciado e cobiçado era esse vegetal, como destacam os pesquisadores Reinaldo Pinho e Francismar Aguiar:

“Em dezembro de 1530 o navio Lá Pelerine partiu de Marselha rumo ao litoral de Pernambuco, aonde chegou três meses após. Em agosto de 1531, o Lá Pelerine aportou na Espanha, para reabastecer de viveres. Ao deixar aquele porto foi capturado por uma esquadra portuguesa e remetido para Lisboa. Dom João III e seus assessores- 7 - não tiveram mais dúvidas: se os portugueses não ocupassem o Brasil a colônia certamente cairia nas mãos dos franceses.” [1]

NOTAS:

[1] Aguiar, Francismar F.; Pinho, Reinaldo. Pau-brasil. Caesalpinia echinata. Árvore nacional. São Paulo, 2007. p. 6-7.


Por Cláudio Fernandes
Mundo Educação/ UOL 

Antes da efetiva colonização do Brasil, que começou, de fato, na década de 1530 com a montagem do sistema mercantilista, o produto que trouxe maior rentabilidade aos aventureiros, navegantes e primeiros colonos que aqui se instalaram foi o pau-brasil.

O interesse na extração e comercialização do pau-brasil, ou Caesalpina echinata, como é conhecido cientificamente, resultou de duas características principais inerentes a esse vegetal:

1) as propriedades de tingimento de tecidos, que vêm da sua coloração avermelhada;

2) sua madeira resistente, que servia para a confecção de vários artigos, desde instrumentos musicais até móveis.

A extração do pau-brasil contava com a mão de obra indígena e, já em torno do ano de 1503, o negócio que girava em torno dessa extração apresentava uma enorme infraestrutura.

Os índios eram encarregados de derrubar as madeiras, separá-las em partes e conduzi-las para as casas dos feitores, onde eram guardadas, sendo, posteriormente, encaminhadas para os navios.

Como escambo, os índios recebiam as bugigangas e as peças manufaturadas que os portugueses traziam da Europa.

Portugal outorgava a alguns exploradores a possibilidade de monopolizar o comércio de pau-brasil. As feitorias eram a base de controle do monopólio, pois, além de terem a função de armazenamento, também funcionavam como o primeiro estágio de triagem da quantidade de produto extraído, que tinha como destino a coroa portuguesa. Dessa forma, possuíam uma função estratégica importante.

O pau-brasil também ficou conhecido como pau-de-pernambuco e podia ser encontrado em toda a extensão da Mata Atlântica no litoral brasileiro. Personagens históricos como Fernando de Noronha tornaram-se grandes comerciantes dessa matéria-prima.

Os franceses, quando tentaram ocupar as terras brasileiras na década de 1550, já eram conhecidos no tráfico de pau-brasil em toda a costa da América do Sul. Isso ilustra o quão apreciado e cobiçado era esse vegetal, como destacam os pesquisadores Reinaldo Pinho e Francismar Aguiar:

“Em dezembro de 1530 o navio Lá Pelerine partiu de Marselha rumo ao litoral de Pernambuco, aonde chegou três meses após. Em agosto de 1531, o Lá Pelerine aportou na Espanha, para reabastecer de viveres. Ao deixar aquele porto foi capturado por uma esquadra portuguesa e remetido para Lisboa. Dom João III e seus assessores- 7 - não tiveram mais dúvidas: se os portugueses não ocupassem o Brasil a colônia certamente cairia nas mãos dos franceses.” [1]

NOTAS:

[1] Aguiar, Francismar F.; Pinho, Reinaldo. Pau-brasil. Caesalpinia echinata. Árvore nacional. São Paulo, 2007. p. 6-7.

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