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Figuras De Sintaxe

05 de Setembro de 2019

Por Luana Castro Alves Perez
Mundo Educação/ UOL 

As figuras de sintaxe podem parecer erros, mas, na verdade, são um importante recurso estilístico utilizado para interferir na construção das sentenças.

Quando escrevemos, buscamos estratégias linguísticas que melhor exprimam nosso pensamento. Entre essas estratégias estão a escolha do gênero textual, escolha do tipo textual, escolha do tipo de linguagem (se a linguagem será literária ou não literária) e também fazemos uma cuidadosa escolha vocabular, privilegiando elementos estilísticos ou apenas os elementos linguísticos necessários para a construção de um texto mais objetivo e dinâmico.

Todos sabemos que a Gramática é responsável por normatizar a língua, oferecendo princípios que regem as relações de dependência ou interdependência das palavras na oração. Contudo, é interessante observar também que a mesma Gramática que rege a língua portuguesa também oferece recursos que podem interferir na sintaxe ou na construção das sentenças, provocando uma verdadeira desordem na concordância, na regência ou na colocação.

Essa “desordem” pode parecer, à primeira vista, uma espécie de erro, mas saiba que, de acordo com o contexto e com a intenção de quem escreve, o erro nada mais é do que o emprego meticulosamente calculado das figuras de sintaxe ou construção.

As figuras de sintaxe ou figuras de construção são uma classificação das figuras de linguagem, elementos que tornam um texto, especialmente aqueles que adotam a linguagem literária, mais expressivo e linguisticamente rico. Enquanto as figuras de pensamento subvertem o sentido real das palavras, as figuras de sintaxe promovem desvios sintáticos e concordâncias irregulares que imprimem características incomuns à construção linguística. O Mundo Educação preparou para você alguns exemplos de figuras de sintaxe mais frequentes. Fique atento e bons estudos!

Principais figuras de sintaxe

1. Elipse: é a omissão de um termo que pode ser facilmente subentendido através da análise do contexto da frase, pois esse termo foi anteriormente enunciado ou sugerido na oração. Observe o exemplo de elipse na música de Edu Lobo:

“(...) Onde a minha namorada...
Vai e diz a ela as minhas penas e que eu peço

Peço apenas
Que ela lembre as nossas horas de poesia (...)”.

(Canto triste – Edu Lobo) 

No trecho “Onde a minha namorada”, o verbo estar ou andar está subentendido. Vale lembrar que há um caso específico de elipse, conhecido como zeugma, em que há uma omissão de um termo já citado na frase.

2. Pleonasmo: consiste na repetição de um termo já expresso ou até mesmo de uma ideia. Sua principal função, quando na linguagem literária, é conferir clareza ou ênfase. Observe um exemplo de pleonasmo na música de Chico Buarque:

“ Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã (...)”.

(Cotidiano – Chico Buarque)

3. Anacoluto: consiste na quebra da estruturação gramatical da frase. Esse é um recurso muito empregado na transcrição de diálogos, técnica que procura reproduzir na escrita a língua falada. Observe um exemplo de anacoluto na frase de Almeida Garrett:

¨E o desgraçado tremiam-lhe as pernas, sufocando-o a tosse¨. (Almeida Garrett)

4. Antecipação ou prolepse: consiste no emprego de um termo que se encontra fora do lugar que gramaticalmente lhe foi convencionado. Dentro de uma narrativa, a prolepse pode surgir para antecipar um fato da história que, cronologicamente, só acontecerá depois. Observe o exemplo de antecipação em um fragmento do livro Levantando do chão, de José Saramago:

“[...] Manoel Espada teve de ir guardar porcos e nessa vida pastoril se encontrou com Antônio Mau-Tempo, de quem mais tarde, em chegando o tempo próprio, virá a ser cunhado.[...]”

(José Saramago - Levantado do Chão)

5. Polissíndeto/Assíndeto: As duas figuras de sintaxe possuem funções opostas. Enquanto no polissíndeto ocorre a repetição das conjunções coordenativas, no assíndeto a característica principal é a ausência delas. Observe os exemplos de polissíndeto e de assíndeto:

"Vão chegando as burguesinhas pobres, / e as criadas das burguesinhas ricas / e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza." (Manuel Bandeira)

"Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se." (Machado de Assis)

6. Antítese: consiste na oposição entre uma ou mais ideias, e justamente por isso ela se torna uma figura de sintaxe facilmente identificável em um texto. Observe o exemplo na frase de Olavo Bilac:

“Residem juntamente no teu peito/um demônio que ruge e um deus que chora”. (Olavo Bilac)

7. Catacrese: é uma espécie de “metáfora desgastada”, pois apresenta uma palavra que perdeu seu sentido original. Observe o exemplo na frase de Cecília Meireles:

“Um beijo seria uma borboleta afogada em mármore." (Cecília Meireles)

8. Hipérbole: consiste em exagerar uma ideia com a intenção de enfatizá-la. Observe o exemplo de hipérbole na frase de Carlos Drummond de Andrade:

"Na chuva de cores / Da tarde que explode / A lagoa brilha." (Carlos Drummond de Andrade)

9. Eufemismo: é o extremo oposto da hipérbole. Nele, as ideias são suavizadas para que fiquem mais agradáveis. Observe o exemplo de eufemismo na frase de Mario Quintana:

"A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer." (Mario Quintana)

10. Prosopopeia: consiste em atribuir características de seres animados a seres inanimados. Observe o exemplo no fragmento do poema “Vento”, de Cecília Meireles:

“O cipreste inclina-se em fina reverência
e as margaridas estremecem, sobressaltadas (...)”.
(Cecília Meireles)


Por Luana Castro Alves Perez
Mundo Educação/ UOL 

As figuras de sintaxe podem parecer erros, mas, na verdade, são um importante recurso estilístico utilizado para interferir na construção das sentenças.

Quando escrevemos, buscamos estratégias linguísticas que melhor exprimam nosso pensamento. Entre essas estratégias estão a escolha do gênero textual, escolha do tipo textual, escolha do tipo de linguagem (se a linguagem será literária ou não literária) e também fazemos uma cuidadosa escolha vocabular, privilegiando elementos estilísticos ou apenas os elementos linguísticos necessários para a construção de um texto mais objetivo e dinâmico.

Todos sabemos que a Gramática é responsável por normatizar a língua, oferecendo princípios que regem as relações de dependência ou interdependência das palavras na oração. Contudo, é interessante observar também que a mesma Gramática que rege a língua portuguesa também oferece recursos que podem interferir na sintaxe ou na construção das sentenças, provocando uma verdadeira desordem na concordância, na regência ou na colocação.

Essa “desordem” pode parecer, à primeira vista, uma espécie de erro, mas saiba que, de acordo com o contexto e com a intenção de quem escreve, o erro nada mais é do que o emprego meticulosamente calculado das figuras de sintaxe ou construção.

As figuras de sintaxe ou figuras de construção são uma classificação das figuras de linguagem, elementos que tornam um texto, especialmente aqueles que adotam a linguagem literária, mais expressivo e linguisticamente rico. Enquanto as figuras de pensamento subvertem o sentido real das palavras, as figuras de sintaxe promovem desvios sintáticos e concordâncias irregulares que imprimem características incomuns à construção linguística. O Mundo Educação preparou para você alguns exemplos de figuras de sintaxe mais frequentes. Fique atento e bons estudos!

Principais figuras de sintaxe

1. Elipse: é a omissão de um termo que pode ser facilmente subentendido através da análise do contexto da frase, pois esse termo foi anteriormente enunciado ou sugerido na oração. Observe o exemplo de elipse na música de Edu Lobo:

“(...) Onde a minha namorada...
Vai e diz a ela as minhas penas e que eu peço

Peço apenas
Que ela lembre as nossas horas de poesia (...)”.

(Canto triste – Edu Lobo) 

No trecho “Onde a minha namorada”, o verbo estar ou andar está subentendido. Vale lembrar que há um caso específico de elipse, conhecido como zeugma, em que há uma omissão de um termo já citado na frase.

2. Pleonasmo: consiste na repetição de um termo já expresso ou até mesmo de uma ideia. Sua principal função, quando na linguagem literária, é conferir clareza ou ênfase. Observe um exemplo de pleonasmo na música de Chico Buarque:

“ Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã (...)”.

(Cotidiano – Chico Buarque)

3. Anacoluto: consiste na quebra da estruturação gramatical da frase. Esse é um recurso muito empregado na transcrição de diálogos, técnica que procura reproduzir na escrita a língua falada. Observe um exemplo de anacoluto na frase de Almeida Garrett:

¨E o desgraçado tremiam-lhe as pernas, sufocando-o a tosse¨. (Almeida Garrett)

4. Antecipação ou prolepse: consiste no emprego de um termo que se encontra fora do lugar que gramaticalmente lhe foi convencionado. Dentro de uma narrativa, a prolepse pode surgir para antecipar um fato da história que, cronologicamente, só acontecerá depois. Observe o exemplo de antecipação em um fragmento do livro Levantando do chão, de José Saramago:

“[...] Manoel Espada teve de ir guardar porcos e nessa vida pastoril se encontrou com Antônio Mau-Tempo, de quem mais tarde, em chegando o tempo próprio, virá a ser cunhado.[...]”

(José Saramago - Levantado do Chão)

5. Polissíndeto/Assíndeto: As duas figuras de sintaxe possuem funções opostas. Enquanto no polissíndeto ocorre a repetição das conjunções coordenativas, no assíndeto a característica principal é a ausência delas. Observe os exemplos de polissíndeto e de assíndeto:

"Vão chegando as burguesinhas pobres, / e as criadas das burguesinhas ricas / e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza." (Manuel Bandeira)

"Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se." (Machado de Assis)

6. Antítese: consiste na oposição entre uma ou mais ideias, e justamente por isso ela se torna uma figura de sintaxe facilmente identificável em um texto. Observe o exemplo na frase de Olavo Bilac:

“Residem juntamente no teu peito/um demônio que ruge e um deus que chora”. (Olavo Bilac)

7. Catacrese: é uma espécie de “metáfora desgastada”, pois apresenta uma palavra que perdeu seu sentido original. Observe o exemplo na frase de Cecília Meireles:

“Um beijo seria uma borboleta afogada em mármore." (Cecília Meireles)

8. Hipérbole: consiste em exagerar uma ideia com a intenção de enfatizá-la. Observe o exemplo de hipérbole na frase de Carlos Drummond de Andrade:

"Na chuva de cores / Da tarde que explode / A lagoa brilha." (Carlos Drummond de Andrade)

9. Eufemismo: é o extremo oposto da hipérbole. Nele, as ideias são suavizadas para que fiquem mais agradáveis. Observe o exemplo de eufemismo na frase de Mario Quintana:

"A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer." (Mario Quintana)

10. Prosopopeia: consiste em atribuir características de seres animados a seres inanimados. Observe o exemplo no fragmento do poema “Vento”, de Cecília Meireles:

“O cipreste inclina-se em fina reverência
e as margaridas estremecem, sobressaltadas (...)”.
(Cecília Meireles)

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