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Pronomes oblíquos

20 de Fevereiro de 2012

Na fala do cotidiano, no colóquio, é muito comum escutarmos e falamos com amigos de forma coloquial, usando uma norma que não é considerada adequada à reprodução em meios formais. Desse modo, quando vemos uma foto antiga podemos reproduzir períodos como “Nossa, eu vi ela ontem!”. Se analisarmos com minúcia o período exemplificado, notaremos que, segundo a norma culta, existe um desvio na construção: o uso pronome ela. Para se adequar a norma culta, o referido pronome deveria ser subtituído pelo seu oblíquo átono respectivo: a.

Ora, mas o que significa isso?

Os pronomes pessoais são divididos, principalmente, em dois grupos: os retos e os oblíquos; esse último, por sua vez, dividido ainda em tônicos e átonos. Esse fator da língua, tão distante para nós falantes do português brasileiro, é um resquício de declinação nominal que existia no latim; ora, como nosso verbo conjuga dependendo de sua significação, o nome declinava de acordo com sua função no período. Assim, segundo os gramáticos antigos, um pronome que exercia função de sujeito, caía rectus, ou seja, em noventa graus em cima de seu verbo, e aquele que era objeto da expressão verbal caía obliquus ao verbo, isso é, com um ângulo oblíquo em relação ao verbo, como acontecem com as retas em geometria analítica.

Os pronomes oblíquos podem ser tônicos, isso é, com um som forte, ou átonos, com um som fraco. Isso nos remete à reprodução desses pronomes pelos falantes do português europeu, que realmente diferenciam muito a tonicidade desses pronomes. Para nos facilitar, lembre que os pronomes tônicos não sempre precedidos de preposição (como para mim) e os átonos não (como me). Lembre-se que os pronomes oblíquos átonos da língua portuguesa são me, te, se, lhe(s), o(s), a(s), nos e vos; ainda mais os tônicos são mim, comigo, ti, contigo, si, consigo, ele(s), ela(s), nós, conosco, vós e convosco.



Sendo assim, os pronomes oblíquos devem ser usados quando são alvo da expressão verbal, ou seja, se se viu a amiga ontem, isso é, a amiga é alvo da ação de ver, a construção deve ser “eu a vi ontem!”.




O uso dos pronomes oblíquos átonos requere um pouco mais de atenção, já que sua colocação perante o verbo pode variar, gerando o que conhecemos como próclises (pronome colocado antes do verbo), ênclises (pronome colocado depois do verbo) e mesóclises (pronome colocado entre o verbo).



Usa-se próclise a maioria das vezes, já que o português brasileiro é proclítico, isso é, favorece a próclise. Sendo assim, quando há expressão negativa, construções adverbiais, conjunções subordinativas, pronomes indefinidos, demonstrativos e relativos há uso de próclise como em “Quem me busca a essa hora tardia?”.




Usa-se ênclise mais raramente, e em sua maioria em contextos formais. Essa deve ser aplicada quando há um imperativo afirmativo, como em “Vá lá e diga-lhe que quero um barco!”, quando o verbo iniciar a oração, como em “Chamaram-nos cá ontem”, quando o verbo estiver no gerúndio, como em “Despediu-se, beijando-lhe a face”, e ainda quando o verbo estiver no infinitivo regido pela preposição a, como em “Passaram a cumprimentar-se depois daquilo”.
Usa-se mesóclise ainda mais raramente, já que é uma construção praticamente inutilizada tanto na língua coloquial quanto na culta. Ela aplica-se quando existe um verbo no futuro do presente, como em “Far-lhe-ei quando pedir”, ou ainda quando há um verbo no futuro do pretérito; como a excêntrica frase de nosso ex-presidente Jânio Quadros: “Bebo porque é líquido, se fosse sólido, come-lo-ia”.



Atente-se ao uso desses pronomes átonos, mas não force o uso de ênclises para deixar seu texto culto, às vezes pode soar excêntrico como nosso ex-presidente ao dizer “fi-lo porque qui-lo!”, então fá-lo porque o exige!

Na fala do cotidiano, no colóquio, é muito comum escutarmos e falamos com amigos de forma coloquial, usando uma norma que não é considerada adequada à reprodução em meios formais. Desse modo, quando vemos uma foto antiga podemos reproduzir períodos como “Nossa, eu vi ela ontem!”. Se analisarmos com minúcia o período exemplificado, notaremos que, segundo a norma culta, existe um desvio na construção: o uso pronome ela. Para se adequar a norma culta, o referido pronome deveria ser subtituído pelo seu oblíquo átono respectivo: a.

Ora, mas o que significa isso?

Os pronomes pessoais são divididos, principalmente, em dois grupos: os retos e os oblíquos; esse último, por sua vez, dividido ainda em tônicos e átonos. Esse fator da língua, tão distante para nós falantes do português brasileiro, é um resquício de declinação nominal que existia no latim; ora, como nosso verbo conjuga dependendo de sua significação, o nome declinava de acordo com sua função no período. Assim, segundo os gramáticos antigos, um pronome que exercia função de sujeito, caía rectus, ou seja, em noventa graus em cima de seu verbo, e aquele que era objeto da expressão verbal caía obliquus ao verbo, isso é, com um ângulo oblíquo em relação ao verbo, como acontecem com as retas em geometria analítica.

Os pronomes oblíquos podem ser tônicos, isso é, com um som forte, ou átonos, com um som fraco. Isso nos remete à reprodução desses pronomes pelos falantes do português europeu, que realmente diferenciam muito a tonicidade desses pronomes. Para nos facilitar, lembre que os pronomes tônicos não sempre precedidos de preposição (como para mim) e os átonos não (como me). Lembre-se que os pronomes oblíquos átonos da língua portuguesa são me, te, se, lhe(s), o(s), a(s), nos e vos; ainda mais os tônicos são mim, comigo, ti, contigo, si, consigo, ele(s), ela(s), nós, conosco, vós e convosco.



Sendo assim, os pronomes oblíquos devem ser usados quando são alvo da expressão verbal, ou seja, se se viu a amiga ontem, isso é, a amiga é alvo da ação de ver, a construção deve ser “eu a vi ontem!”.




O uso dos pronomes oblíquos átonos requere um pouco mais de atenção, já que sua colocação perante o verbo pode variar, gerando o que conhecemos como próclises (pronome colocado antes do verbo), ênclises (pronome colocado depois do verbo) e mesóclises (pronome colocado entre o verbo).



Usa-se próclise a maioria das vezes, já que o português brasileiro é proclítico, isso é, favorece a próclise. Sendo assim, quando há expressão negativa, construções adverbiais, conjunções subordinativas, pronomes indefinidos, demonstrativos e relativos há uso de próclise como em “Quem me busca a essa hora tardia?”.




Usa-se ênclise mais raramente, e em sua maioria em contextos formais. Essa deve ser aplicada quando há um imperativo afirmativo, como em “Vá lá e diga-lhe que quero um barco!”, quando o verbo iniciar a oração, como em “Chamaram-nos cá ontem”, quando o verbo estiver no gerúndio, como em “Despediu-se, beijando-lhe a face”, e ainda quando o verbo estiver no infinitivo regido pela preposição a, como em “Passaram a cumprimentar-se depois daquilo”.
Usa-se mesóclise ainda mais raramente, já que é uma construção praticamente inutilizada tanto na língua coloquial quanto na culta. Ela aplica-se quando existe um verbo no futuro do presente, como em “Far-lhe-ei quando pedir”, ou ainda quando há um verbo no futuro do pretérito; como a excêntrica frase de nosso ex-presidente Jânio Quadros: “Bebo porque é líquido, se fosse sólido, come-lo-ia”.



Atente-se ao uso desses pronomes átonos, mas não force o uso de ênclises para deixar seu texto culto, às vezes pode soar excêntrico como nosso ex-presidente ao dizer “fi-lo porque qui-lo!”, então fá-lo porque o exige!

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