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Refugiado sírio bate-papo com estudantes da Oficina

Mesmo com a chuva, a arena da Oficina do Estudante ficou lotada na manhã deste sábado, 19 de agosto, para o bate-papo com o refugiado sírio Kamel Zinou, de 22 anos, que mora em Campinas há 3. O estrangeiro afirmou que gosta tanto do Brasil, que pretende se estabelecer definitivamente por aqui.

O encontro foi intermediado pelos professores Juliano, de filosofia; e pelo Bruno, de atualidades. Ambos deram um panorama geral sobre a guerra que assola a Síria há 7 anos.

Kamel contou que a mídia síria é toda controlada pela família de Bashar al-Assad e que ela faz propaganda do governo. Mídia livre só a internacional, citando a Al Jazira. Contou também que, desde cedo, nas escolas, as crianças são ensinadas a gostar e a admirar o presidente Assad.

Relatou que o Estado Islâmico chega a ser muito mais violento que o presidente ditador, e que o grupo terrorista mata as pessoas na rua por atos banais, como beber, por exemplo. Lembrou que o Estado Islâmico as mata com muita crueldade, as degolando. Disse que, por isso, quer que Assad permaneça no poder.

Entre os horrores da guerra, Kamel lembra de um ataque que matou cerca de 300 civis. O sobrevivente estava a um quilômetro da universidade bombardeada, mas ficou atemorizado com os ruídos das bombas. Lembrou que, durante esse bombardeio, um amigo dele perdeu o pai e que a mãe desse amigo ficou paralítica.

Disse ainda que nunca sofreu preconceito no Brasil - nem por ser estrangeiro, nem por ser árabe ou tampouco muçulmano-, mas que os pais dele querem voltar para a Síria porque a adaptação deles no Brasil está sendo difícil. Eles não falam português, ao contrário de Kamel, que já domina o idioma.

O professor Juliano lembrou que para as gerações mais velhas, já estabelecidas previamente, o adaptar-se é muito mais sofrido.

Vida nova

Kamel, ao contrário dos pais, afirmou querer se estabelecer em Campinas - caso ele consiga, quando se formar, um emprego como engenheiro elétrico. O estrangeiro cursa o segundo ano da faculdade na Unicamp, e disse que é muito bem recebido na universidade.

Relatou que nos campos de refugiados, onde alguns dos amigos dele estão, o tratamento é muito ruim, e que eles sofrem muito preconceito.

No fim do encontro, o professor Juliano deixou uma reflexão: embora haja diferenças, todos nós somos iguais, porque todos somos seres humanos, que merecem respeito e dignidade.

Já o professor Brunão, lembrou aos alunos o quanto esse tipo de iniciativa da Oficina é enriquecedora para os estudantes, não apenas como conhecimento acadêmico, mas humano também.


Mesmo com a chuva, a arena da Oficina do Estudante ficou lotada na manhã deste sábado, 19 de agosto, para o bate-papo com o refugiado sírio Kamel Zinou, de 22 anos, que mora em Campinas há 3. O estrangeiro afirmou que gosta tanto do Brasil, que pretende se estabelecer definitivamente por aqui.

O encontro foi intermediado pelos professores Juliano, de filosofia; e pelo Bruno, de atualidades. Ambos deram um panorama geral sobre a guerra que assola a Síria há 7 anos.


Kamel contou que a mídia síria é toda controlada pela família de Bashar al-Assad e que ela faz propaganda do governo. Mídia livre só a internacional, citando a Al Jazira. Contou também que, desde cedo, nas escolas, as crianças são ensinadas a gostar e a admirar o presidente Assad.

Relatou que o Estado Islâmico chega a ser muito mais violento que o presidente ditador, e que o grupo terrorista mata as pessoas na rua por atos banais, como beber, por exemplo. Lembrou que o Estado Islâmico as mata com muita crueldade, as degolando. Disse que, por isso, quer que Assad permaneça no poder.


Entre os horrores da guerra, Kamel lembra de um ataque que matou cerca de 300 civis. O sobrevivente estava a um quilômetro da universidade bombardeada, mas ficou atemorizado com os ruídos das bombas. Lembrou que, durante esse bombardeio, um amigo dele perdeu o pai e que a mãe desse amigo ficou paralítica.

Disse ainda que nunca sofreu preconceito no Brasil - nem por ser estrangeiro, nem por ser árabe ou tampouco muçulmano-, mas que os pais dele querem voltar para a Síria porque a adaptação deles no Brasil está sendo difícil. Eles não falam português, ao contrário de Kamel, que já domina o idioma.

O professor Juliano lembrou que para as gerações mais velhas, já estabelecidas previamente, o adaptar-se é muito mais sofrido.

Vida nova

Kamel, ao contrário dos pais, afirmou querer se estabelecer em Campinas - caso ele consiga, quando se formar, um emprego como engenheiro elétrico. O estrangeiro cursa o segundo ano da faculdade na Unicamp, e disse que é muito bem recebido na universidade.

Relatou que nos campos de refugiados, onde alguns dos amigos dele estão, o tratamento é muito ruim, e que eles sofrem muito preconceito.

No fim do encontro, o professor Juliano deixou uma reflexão: embora haja diferenças, todos nós somos iguais, porque todos somos seres humanos, que merecem respeito e dignidade.

Já o professor Brunão, lembrou aos alunos o quanto esse tipo de iniciativa da Oficina é enriquecedora para os estudantes, não apenas como conhecimento acadêmico, mas humano também.