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Tira Dúvidas

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Quem foi Chico Mendes?

03 de Setembro de 2019

Por Érica Caetano/ Mundo Educação UOL 
Imagem: Miranda Smith/ Wikimedia Commons 


Em 15 de dezembro de 1944, no seringal Porto Rico, na cidade de Xapuri, bem perto da fronteira do Acre com a Bolívia, nascia Francisco Alves Mendes Filho. Chico Mendes, como é conhecido, era filho de seringueiro e passou sua infância e juventude ao lado do pai praticando a profissão.

Ele aprendeu a ler somente no início da fase adulta, mas isso já era um feito, se comparado aos demais seringueiros de Xapuri, em sua maioria analfabetos. Chico Mendes era vizinho do refugiado político Euclides Fernandes Távora, que alfabetizou o jovem seringueiro e teve grande influência na vida dele.

Por ser mais instruído que os demais seringueiros, Chico Mendes passou a questionar os problemas que envolviam a região. A extração da borracha como atividade econômica na Amazônia sempre gerou conflitos, já que na maioria das vezes ela estava baseada em relações de grande exploração. Em muitos casos, funcionava por meio do sistema de troca de mercadorias industriais pelo produto extrativo, o aviamento, criando uma sociedade com miséria e endividamento constante.

Em seu meio de trabalho, havia um rígido regulamento de subordinação entre seringalistas e os donos dos seringais, castigando severamente aqueles que ousassem desrespeitar o sistema. Conflitos eram “abafados” pela violência de forças policiais.

No regime militar, a política implantada na região Amazônica gerou grandes conflitos fundiários no Acre, fazendo com que a situação fosse muito crítica na década de 1970. A substituição da borracha pela pecuária motivou a especulação fundiária e o desmatamento de grandes extensões de terras, impedindo a permanência dos seringueiros na floresta.

Sindicato e ativismo
Diante desse cenário, surgiram os primeiros sindicatos de seringueiros no Acre, e Chico viu a necessidade de fazer algo para mudar a realidade dos seringais. Assim, em 1975, tornou-se membro da diretoria do Sindicato de Trabalhadores Rurais (STR) de Brasiléia, o primeiro criado no Acre, e que era presidido por Wilson Pinheiro.

Em 1976, Chico e demais seringueiros, sob a liderança de Pinheiro, reuniam suas famílias e iam para as áreas ameaçadas de desmatamento, onde desmontavam os acampamentos dos peões e paravam as motosserras. Esse ato de resistência era chamado de“empates às derrubadas”.

A liderança de Wilson Pinheiro incomodou latifundiários da região, que o assassinaram em 21 de julho de 1980. A morte de Wilson fez surgir um novo líder. Em 1983, Chico Mendes foi eleito presidente do STR de Xapuri e intensificou a luta pelos direitos dos seringueiros, além da defesa da floresta e a luta política contra a ditadura.

Luta ideológica e pelos direitos humanos

O seringueiro tinha uma tese baseada em sua convivência e conhecimento da floresta e natureza, e que, mais tarde, realmente foi comprovada, que os benefícios derivados da manutenção da floresta são maiores do que o valor obtido com a sua derrubada.

Com essa ideologia formada pelo sindicalismo, pautada na defesa dos direitos humanos e pelo respeito à floresta, fizeram com que Chico Mendes fosse reconhecido como um líder político, conquistando respeito internacional.

Chico liderou a organização do 1º Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, onde mais de 100 seringueiros criaram um Conselho Nacional, entidade representativa e que elaborou a proposta original de reforma agrária, com as Reservas Extrativistas.

Ameaças e morte
Mesmo conquistando o respeito internacional, Chico Mendes vivia sob ameaças de ruralistas. Os embates continuavam e geravam, inclusive, prisões, já que a regularização dos conflitos fundiários não era concretizada.

Em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes foi assassinado quando ia ao banheiro nos fundos de sua casa. Ele foi morto com um tiro de escopeta no peito, na frente da esposa e dos dois filhos, aos 44 anos.

Chico Mendes foi assassinado por Darci Alves, a mando de seu pai, Darly Alves, um grileiro de terras com história de violência em vários lugares do Brasil. Sua morte repercutiu no mundo inteiro, causando grande indignação e revolta, refletindo também no Brasil, já que, até então, ele era ignorado pela imprensa brasileira.

A pressão da imprensa e da opinião pública fizeram Darly, Darci e um irmão do fazendeiro, Alvarino Alves da Silva (sua participação nunca foi comprovada), serem julgados por júri popular. Pai e filho foram condenados à prisão em 1990, com pena de 19 anos, fato considerado inédito na justiça rural no Brasil.

Darly e Darci fugiram da prisão em 1993 e só foram recapturados em 1996. Em 1999, Darly saiu do presídio para cumprir o restante da pena em prisão domiciliar, por problemas de saúde, de acordo com alegações de seus advogados. Darci, no mesmo ano, ganhou o direito de cumprir o restante da pena em regime semiaberto.

Em 2013, já solto e vivendo em Xapuri, Darly concedeu uma entrevista na qual afirmou ser vítima de uma condenação injusta. “Quem falasse contra mim ganhava prêmio, então podiam mentir à vontade. Quando chegava alguém para me defender, o juiz batia o martelo e mandava me retirar da sala. Só queriam a minha condenação”. Darci cumpriu o regime semiaberto em Xapuri e depois mudou-se para Brasília. Atualmente, é pastor evangélico.

Genésio – a testemunha
Entre os depoimentos considerados como cruciais para a condenação dos grileiros está o de Genésio Ferreira da Silva. Na época com 13 anos, Genésio trabalhava na fazenda de Darly e ouviu todo o planejamento do crime.

Por causa de ameaças de morte, Genésio teve que se mudar de Xapuri e viu sua vida ser transformada depois da morte do líder dos seringueiros. Um documentário produzido em 2018, pela Amazônia Real, mostra a vida de Genésio antes e depois do assassinato de Chico Mendes.

Legado de Chico Mendes
No mesmo ano da morte de Chico Mendes, as primeiras reservas extrativistas foram criadas. O sonho de uma floresta valorizada, sem conflitos e com perspectiva de futuro aos filhos dos seringueiros e extrativistas, finalmente, foi realizado.

Pode-se afirmar que o principal legado de Chico Mendes são as Reservas Extrativistas, que representam a primeira iniciativa de conciliação entre proteção do meio ambiente e justiça social, antecipando o conceito de desenvolvimento sustentável que surgiu com a Rio 92.

Instituto Chico Mendes de Conservação Biodiversidade - ICMbio
Em 28 de agosto de 2007, pela Lei 11.516, foi criado o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, uma autarquia em regime especial e vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e que integra o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). O Instituto executa as ações do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (UC), podendo propor, implantar, gerir, proteger, fiscalizar e monitorar as UCs instituídas pela União.

Cabe também ao órgão captar e executar programas de pesquisa, proteção, preservação e conservação da biodiversidade e exercer o poder de polícia ambiental para a proteção das Unidades de Conservação federais.

Reconhecimento internacional
Em 1987 foi lançado o documentário “Eu Quero Viver”, que mostra a luta de Chico Mendes para proteger a floresta e os direitos dos trabalhadores. Produzido pelo cinegrafista inglês Adrian Cowell, ele foi divulgado internacionalmente.

Entre 1987 e 1988, Chico Mendes ganhou o Global 500, prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU), na Inglaterra, e a Medalha de Meio Ambiente da Better World Society, nos Estados Unidos, dando entrevistas aos principais jornais do mundo. Posteriormente, diante disso, jornalistas e pesquisadores o visitaram nos seringais e difundiram suas ideias pelo planeta.


Por Érica Caetano/ Mundo Educação UOL 
Imagem: Miranda Smith/ Wikimedia Commons 


Em 15 de dezembro de 1944, no seringal Porto Rico, na cidade de Xapuri, bem perto da fronteira do Acre com a Bolívia, nascia Francisco Alves Mendes Filho. Chico Mendes, como é conhecido, era filho de seringueiro e passou sua infância e juventude ao lado do pai praticando a profissão.

Ele aprendeu a ler somente no início da fase adulta, mas isso já era um feito, se comparado aos demais seringueiros de Xapuri, em sua maioria analfabetos. Chico Mendes era vizinho do refugiado político Euclides Fernandes Távora, que alfabetizou o jovem seringueiro e teve grande influência na vida dele.

Por ser mais instruído que os demais seringueiros, Chico Mendes passou a questionar os problemas que envolviam a região. A extração da borracha como atividade econômica na Amazônia sempre gerou conflitos, já que na maioria das vezes ela estava baseada em relações de grande exploração. Em muitos casos, funcionava por meio do sistema de troca de mercadorias industriais pelo produto extrativo, o aviamento, criando uma sociedade com miséria e endividamento constante.

Em seu meio de trabalho, havia um rígido regulamento de subordinação entre seringalistas e os donos dos seringais, castigando severamente aqueles que ousassem desrespeitar o sistema. Conflitos eram “abafados” pela violência de forças policiais.

No regime militar, a política implantada na região Amazônica gerou grandes conflitos fundiários no Acre, fazendo com que a situação fosse muito crítica na década de 1970. A substituição da borracha pela pecuária motivou a especulação fundiária e o desmatamento de grandes extensões de terras, impedindo a permanência dos seringueiros na floresta.

Sindicato e ativismo
Diante desse cenário, surgiram os primeiros sindicatos de seringueiros no Acre, e Chico viu a necessidade de fazer algo para mudar a realidade dos seringais. Assim, em 1975, tornou-se membro da diretoria do Sindicato de Trabalhadores Rurais (STR) de Brasiléia, o primeiro criado no Acre, e que era presidido por Wilson Pinheiro.

Em 1976, Chico e demais seringueiros, sob a liderança de Pinheiro, reuniam suas famílias e iam para as áreas ameaçadas de desmatamento, onde desmontavam os acampamentos dos peões e paravam as motosserras. Esse ato de resistência era chamado de“empates às derrubadas”.

A liderança de Wilson Pinheiro incomodou latifundiários da região, que o assassinaram em 21 de julho de 1980. A morte de Wilson fez surgir um novo líder. Em 1983, Chico Mendes foi eleito presidente do STR de Xapuri e intensificou a luta pelos direitos dos seringueiros, além da defesa da floresta e a luta política contra a ditadura.

Luta ideológica e pelos direitos humanos

O seringueiro tinha uma tese baseada em sua convivência e conhecimento da floresta e natureza, e que, mais tarde, realmente foi comprovada, que os benefícios derivados da manutenção da floresta são maiores do que o valor obtido com a sua derrubada.

Com essa ideologia formada pelo sindicalismo, pautada na defesa dos direitos humanos e pelo respeito à floresta, fizeram com que Chico Mendes fosse reconhecido como um líder político, conquistando respeito internacional.

Chico liderou a organização do 1º Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, onde mais de 100 seringueiros criaram um Conselho Nacional, entidade representativa e que elaborou a proposta original de reforma agrária, com as Reservas Extrativistas.

Ameaças e morte
Mesmo conquistando o respeito internacional, Chico Mendes vivia sob ameaças de ruralistas. Os embates continuavam e geravam, inclusive, prisões, já que a regularização dos conflitos fundiários não era concretizada.

Em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes foi assassinado quando ia ao banheiro nos fundos de sua casa. Ele foi morto com um tiro de escopeta no peito, na frente da esposa e dos dois filhos, aos 44 anos.

Chico Mendes foi assassinado por Darci Alves, a mando de seu pai, Darly Alves, um grileiro de terras com história de violência em vários lugares do Brasil. Sua morte repercutiu no mundo inteiro, causando grande indignação e revolta, refletindo também no Brasil, já que, até então, ele era ignorado pela imprensa brasileira.

A pressão da imprensa e da opinião pública fizeram Darly, Darci e um irmão do fazendeiro, Alvarino Alves da Silva (sua participação nunca foi comprovada), serem julgados por júri popular. Pai e filho foram condenados à prisão em 1990, com pena de 19 anos, fato considerado inédito na justiça rural no Brasil.

Darly e Darci fugiram da prisão em 1993 e só foram recapturados em 1996. Em 1999, Darly saiu do presídio para cumprir o restante da pena em prisão domiciliar, por problemas de saúde, de acordo com alegações de seus advogados. Darci, no mesmo ano, ganhou o direito de cumprir o restante da pena em regime semiaberto.

Em 2013, já solto e vivendo em Xapuri, Darly concedeu uma entrevista na qual afirmou ser vítima de uma condenação injusta. “Quem falasse contra mim ganhava prêmio, então podiam mentir à vontade. Quando chegava alguém para me defender, o juiz batia o martelo e mandava me retirar da sala. Só queriam a minha condenação”. Darci cumpriu o regime semiaberto em Xapuri e depois mudou-se para Brasília. Atualmente, é pastor evangélico.

Genésio – a testemunha
Entre os depoimentos considerados como cruciais para a condenação dos grileiros está o de Genésio Ferreira da Silva. Na época com 13 anos, Genésio trabalhava na fazenda de Darly e ouviu todo o planejamento do crime.

Por causa de ameaças de morte, Genésio teve que se mudar de Xapuri e viu sua vida ser transformada depois da morte do líder dos seringueiros. Um documentário produzido em 2018, pela Amazônia Real, mostra a vida de Genésio antes e depois do assassinato de Chico Mendes.

Legado de Chico Mendes
No mesmo ano da morte de Chico Mendes, as primeiras reservas extrativistas foram criadas. O sonho de uma floresta valorizada, sem conflitos e com perspectiva de futuro aos filhos dos seringueiros e extrativistas, finalmente, foi realizado.

Pode-se afirmar que o principal legado de Chico Mendes são as Reservas Extrativistas, que representam a primeira iniciativa de conciliação entre proteção do meio ambiente e justiça social, antecipando o conceito de desenvolvimento sustentável que surgiu com a Rio 92.

Instituto Chico Mendes de Conservação Biodiversidade - ICMbio
Em 28 de agosto de 2007, pela Lei 11.516, foi criado o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, uma autarquia em regime especial e vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e que integra o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). O Instituto executa as ações do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (UC), podendo propor, implantar, gerir, proteger, fiscalizar e monitorar as UCs instituídas pela União.

Cabe também ao órgão captar e executar programas de pesquisa, proteção, preservação e conservação da biodiversidade e exercer o poder de polícia ambiental para a proteção das Unidades de Conservação federais.

Reconhecimento internacional
Em 1987 foi lançado o documentário “Eu Quero Viver”, que mostra a luta de Chico Mendes para proteger a floresta e os direitos dos trabalhadores. Produzido pelo cinegrafista inglês Adrian Cowell, ele foi divulgado internacionalmente.

Entre 1987 e 1988, Chico Mendes ganhou o Global 500, prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU), na Inglaterra, e a Medalha de Meio Ambiente da Better World Society, nos Estados Unidos, dando entrevistas aos principais jornais do mundo. Posteriormente, diante disso, jornalistas e pesquisadores o visitaram nos seringais e difundiram suas ideias pelo planeta.

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